March 28, 2018 / 5:48 PM / 3 months ago

NOVA 2-Novo Banco com prejuízo recorde de 1.395 ME em 2017 após fortes imparidades

By Daniel Alvarenga

LISBOA, Março 28 (Reuters) - O prejuízo do Novo Banco, controlado pela norte-americana Lone Star, aumentou 77 pct para um recorde de 1.395 milhões de euros (ME) em 2017, penalizado por fortes imparidades e pela queda da margem financeira, anunciou o banco, que recebeu uma nova injecção de capital do Fundo de Resolução no final do ano.

O terceiro maior banco português, que deixou de ter estatuto de transição a partir de 18 de Outubro, na sequência do fundo norte-americano Lone Star ter comprado 75 pct do seu capital ao Fundo de Resolução, disse que a margem financeira caiu 23 pct para 514,5.

O Novo Banco - que emergiu dos escombros do falido BES, resgatado em Agosto de 2014 - disse que as imparidades foram reforçadas, tendo atingido um total de 2.056,9 ME, das quais 1 229,2 ME para crédito, 398 ME para operações em descontinuação e 134,3 ME de provisões para reestruturação.

“Os prejuízos apresentados decorreram, fundamentalmente, do reconhecimento de montantes elevados de imparidades, de acordo com as exigências das autoridades europeias por forma a que as instituições bancárias tenham condições de recuperar rentabilidade de uma forma mais rápida e consistente”, disse o banco em comunicado.

Em 2017, o resultado operacional foi positivo em 341,7 ME, mas inferior em 44,9 ME ao de 2016.

PERÍMETRO CAI

Lembrou que o perímetro de ativos previamente definido, com um valor liquido contabilístico inicial - em junho de 2016 - de cerca de 7,9 mil ME, no final de dezembro de 2017 tinham um valor líquido de 5,4 mil ME.

Ao nível da atividade, o Grupo reduziu a sua carteira de crédito em cerca de 2,3 mil ME ou 6,9 pct, com especial incidência no crédito não produtivo/non performing loans ou seja menos 1,7 mil ME.

“A sinistralidade do crédito não produtivo reduziu-se para 30,5 pct (2016: 33,4 pct), com a respetiva cobertura por imparidade a aumentar para 58,7 pct (2016: 49,3 pct)”, explicou.

Os depósitos de clientes aumentaram 4,1 mil ME ou 16,1 pct, em termos homólogos, dos quais 1,8 mil ME resultantes da concretização da operação de LME, cujo impacto ao nível das obrigações emitidas se saldou por uma diminuição de 2,2 mil ME.

Afirmou que “as continuadas políticas de racionalização e otimização de custos levaram à redução de 7,1 pct dos custos operativos, tendo reduzido os custos de pessoal em 9,1 pct e os gastos gerais em 6,9 pct”.

O financiamento líquido junto do Banco Central Europeu (BCE) reduziu-se em 2,3 mil ME, situando-se em dezembro de 2017 nos 2,8 mil ME.

FUNDO RESOLUÇÃO INJECTA

O banco terminou o quarto trimestre com um rácio de capital ‘common equity Tier 1’ (CET1) de 12,8 pct e total capital de 13 pct, ambos ‘phased in’.

“Em 31 de dezembro de 2017 o mecanismo (de capital contigente) foi ativado conduzindo ao registo de uma compensação de 791,7 ME, por forma a que o Banco se mantenha uma instituição financeiramente sólida e bem capitalizada, com rácios de capital e níveis de rentabilidade potenciadores da sua atividade”, disse.

O Chief Executive Officer (CEO) António Ramalho referiu que “a activação do mecanismo de capital contingente foi a cargo do accionista Fundo de Resolução”.

Houve “adicionalmente uma contabilização líquida negativa de 520 ME de anulação de DTA, dado que de acordo do que decorre com a negociação com DGcom não são considerados adequados os 520 ME dentro do que era considerado como previsível nos resultados futuros”.

“2017 é sobretudo um ano que fica marcado pelas injecções de capital naturais, que foram necessárias fazer. Com a operação de LME com impacto positivo”, explicou António Ramalho.

Segundo este mecanismo, o Novo Banco pode ser compensado, até ao limite máximo de 3,89 mil ME, por perdas que venham a ser reconhecidas com alguns dos seus ativos problemáticos, caso os rácios de capital desçam abaixo de determinado patamar.

REESTRUTURA

António Ramalho frisou que o Novo Banco vai “iniciar um esforço de reestruturação significativo, naturalmente com redução de balcões”, adiantando: “com redução adicional até atingir o valor de 400”.

O número de balcões, em 31 de dezembro de 2017, era de 473 tendo-se registado uma redução homóloga de 64 unidades.

Acrescentou que a reestruturação visará a redução de trabalhadores quer via rescisões voluntárias, quer com reformas antecipadas que poderá atingir cerca de 400 trabalhadores.

Em 31 de dezembro de 2017 o Grupo contava com 5.488 colaboradores, contra 6.096 há um ano atrás.

“É tempo de ajustar não é tempo de adiar. O mais rapidamente possível esperamos vir a fazer reestruturação necessária no sentido de voltar à vida normal de financiar a economia”.

IMPARIDADES JUSTAS

“Quanto à pergunta sobre se algumas imparidades foram recuperadas em excesso: contarão sempre para as ‘qualifying losses’. Vamos ser realistas, não vamos crer que estes grupos de crédito não tinham riscos”, disse António Ramalho, CEO do Novo Banco.

Frisou que todas as contas do banco são auditadas. “Em cada momento vamos avaliando as circunstâncias específicas. As imparidades na maior parte dos casos têm a ver com créditos no estrangeiro. Há várias imparidades em países árabes, algumas no Brasil. Herdou carteira com algum relevo. Vai agora ser internalizada. Leva à reavaliação de toda esta operação”.

O CEO do Novo Banco acrescentou ainda que o banco emitirá no primeiro semestre 400 milhões de euros de dívida subordinada conforme se tinha comprometido.

“Fá-lo-á nas condições de mercado, certo que esse necessário fim de ciclo dará condições perfeitas para ir ao mercado de forma transparente”, frisou. (Por Daniel Alvarenga; Editado por Sérgio Gonçalves)

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